Saturday, May 03, 2008
O inferno somos nós mesmos
Uma cortina de tule translúcida e metálica, com uma minutagem aleatória, ilumina o cenário tosco, como se estivesse a registrar momentos de uma existência onde a arte se confunde com uma busca incessante pela dor.
Camille, um gênio escarnecido pela sua própria época, parece “fabricar” a dor em suas esculturas, “embriagar-se” dela ao custo da própria lucidez e da própria vida.
Suas obras são uma espécie de “ metáfora musical “ do inconsciente, denunciam uma “sublimação reprimida”, funcionam como porta-voz de uma artista que encarnou o mito do herói trágico e cuja existência resume-se a sombra de um amor incendiante, numa sociedade que a asfixiava inoculando-lhe a vontade demoníaca de transcendência , metaforicamente representada em suas inúmeras esculturas.
O cenário é tosco, deprimente. Um ateliê na Rua Notre-Dame-des-Champ, numa Paris dos anos 30, onde as mulheres pareciam estar reservadas a um bom casamento com algum ilustre monsieur.
Camille, num ritual pagão, parece exorcizar seus demônios ao sentir suas mãos criarem formas, imagens. Trabalha com a precisão de um ourives, e tal qual uma feiticeira, parece roubar a alma dos que se predispunham a missão honrosa de servirem como modelo para suas esculturas.
Suas obras parecem revelar um “matrimônio” entre céu e inferno, suas esculturas são dotadas de uma vida que lateja, uma solidão pulsante, como se estivessem a deflagrar a completa miséria em que viva a artista, um cubículo onde o espírito de Rodin rondava-lhe os pensamentos, levando-a a um intermitente processo de loucura, assolada apenas pela presença dos gatos que pareciam multiplicar-se, da sujeira visível em todos os cantos, do barro e mármore que serviam de esteio para seu ofício.
Antonin Artaud, célebre escritor francês, costuma dizer; “eu sou aquele que, para ser, deve fustigar o que me é inato”.
Camille Claudel, sua necessidade latente de produzir, parece seguir fielmente a velha máxima de que “o inferno somos nós mesmos.” Seu ritmo é frenético, a estrada do excesso leva Camille ao palácio da sabedoria e do exílio, onde os mártires parecem andar de mãos dadas e sua alma é pura luz imersa em sombras
A purificação presente em seus trabalhos, a loucura intermitente que a assola vertiginosamente, são propulsores de uma intensa produção, 'La Valse', 'La Vague’, 'Les Causeuses', 'Paul Claudel à trente sept ans', que, no entanto parece não encher os olhos da conservadora sociedade parisiense, que a rotula de indecente, profana e louca.
Camille, o gênio esquecido e que padece na “terra da catástrofe” parece viver numa oscilante interseção entre a altitude de sonhos e a opacidade e defasagem de uma sociedade cruel, se mostrando dilacerada, fragmentada ao percorrer a estrada da dissolução. Contudo, as conseqüências sofridas pelo seu corpo e mente denuncia a fragilidade de quem aspirou ao sublime e que encontrou na arte a razão da sua própria vida.
Tosca homenagem a Carol, alguém a quem admiro e cuja ausência me faz dor os ossos.
Sunday, April 27, 2008
Daniel
Com quem lamentar que sua vida o levasse a uma estrada cada vez mais estreita? Quem há de compreender suas noites insones, seu flerte com o suicídio?
Ele era livre, e poderia adejar, para dentro e para fora da prisão dele, por mais que acreditasse que seu porto seguro era a sua própria doença, o medo.
Tinha olhos que fitavam o universo, mas olhava para dentro, como se estivesse a ocultar um tesouro oculto.
Era preciso acreditar ser possível ver de longe, embora muitas vezes aquele garoto acreditasse que a gravidade da sua doença o impedisse de ver o infinito, seus mistérios.
Por mais que tivesse um sólido físico, existia nele algo de não substancial, como se pudéssemos passar as mãos por entre seu corpo, quebrando-o em uma infinidade de corpúsculos menores.
Ele tinha várias vidas. Era vários Outros. Deixava-se ser. Era aberto ao novo com a lucidez de um guru, com a sabedoria vinda de outras eras. Ele era o João, a Maria, o Fellini e o Chico. Era o olhar sobre a morte com a doçura de um ser celeste. Era o olhar sobre a pena que levemente observava deslizando sobre a eletricidade do vento. Era luz e trevas.
Desejava a dor, ansiava pelo sofrimento. Este era o seu desafio, o seu calvário e a sua redenção; conquistar o palco prescindia estender-se sob a cruz de malta.
O que ele não entendia é que não precisava anular sua existência para se estender sobre corpo e alma sobre seus sonhos.
Ele é o físico e o odontólogo, o matemático e o narciso, o anarquista e o aristocrata, a vaidade e a mendicância, o luxo e o lixo. Ele pode ser. Mas pode ser sofrendo, pode ser amando, pode ser sonhando, pode ser de várias maneiras.
A sua euforia e o seu olhar curioso sob o que perscruta é dele. Não é do outro. Ele é ele, é o todo.
Aminiótico.
A porta está estendida, bem ali, à sua frente.
Os mártires andam de mãos dadas, mas são crucificados sozinhos.
A estrada do excesso o levará ao palácio da sabedoria.
Thursday, April 24, 2008
Cissa
Someone with desires and a natural feeling of perception about the others. Some work of art. Painted by some forgotten artist, who tryed to use precise lines to have the exactly definition of your face and body .
Your skin makes me burst into tears. It is ice-cream. Sweet and capable to spread a natural perfume, as if it was made by roses.
You are a mix of a wild rose and the sweetness of the glass. You are made by glass and wild feelings.
Just like in heaven I see your face and it appears to me as a painting. Painted by some forgotten artist. Some poor and a genius of it´s generation.
You are an inspiration of ambitious artistic tendencies; a saint and a devil.
You are the lady that is trying to go across the river, with nice shoes, and out of a sudden , as if you were taken by some mysterious feeling of happiness. Interior happiness, just says, as loud as you can:
You are the lady that is trying to go across the river, with nice shoes, and out of a sudden , as if you were taken by some mysterious feeling of happiness. Interior happiness, just says, as loud as you can:
"I have the first sentence for my novel; " It is possible to die" .
But you survive with your faithful sensibility .
Live. Forever.
Friday, February 22, 2008
Diathesis
I am sitting in the chair, writing, in agony. A demon is pinning me there, fucking my head.
Abraxas, he says. I am Abraxas, the demon of lies.
What would you like to know about lies, Cis?
I will tell you about lies; there are white lies, and black lies, and many shades of grey lies. But, some lies are justified, lies told out of kindness, lies that preserve your dignity, lies that spare pain.
I will tell you about lies; there are white lies, and black lies, and many shades of grey lies. But, some lies are justified, lies told out of kindness, lies that preserve your dignity, lies that spare pain.
Everybody lies.
Maybe this is one more lie, this one just about to come out of my mouth:
In addition to my heart, there are some small organs I want to give to you; glands, sweetbreads, variety meats.
Cissa, for you my heart ripped from my chest. Eviscerated I am and if I could I would plunge my fingers through my chest, rip out my heart, and give it to you, a pulpy mass of morbid diathesis.
Diathesis it is like a susceptibility to disease. It is like all those parts of me there are susceptible to invasion. But, what good would it do to offer Cissa a pile of sick meat?
I don´t know. I just don´t want to lie.
In addition to my heart, there are some small organs I want to give to you; glands, sweetbreads, variety meats.
Cissa, for you my heart ripped from my chest. Eviscerated I am and if I could I would plunge my fingers through my chest, rip out my heart, and give it to you, a pulpy mass of morbid diathesis.
Diathesis it is like a susceptibility to disease. It is like all those parts of me there are susceptible to invasion. But, what good would it do to offer Cissa a pile of sick meat?
I don´t know. I just don´t want to lie.
Monday, December 03, 2007
It is time to get wise.
Quantum physics
Supreme mind!
Have you ever looked at yourself through the eyes of someone else that you just have become?
Have you ever looked at yourself through the eyes of the ultimate Observer?
Quantum physics. In one single word: The science of possibilities.
When you you are not looking at something you are seeing a spread wave of possible locations. But when you are looking, there are particles of experiences.
Where do we come from? Who are we? Where do we go ?
There is not an out there ( out there) independet of what is happening inside. The external world can not be separeted of the internal world. In fact, What happens within us affects the reality outside us.
We are affecting reality all the time. Even when we play victims.
What is an aton? Is it solid? Is it a tiny point , the most concret and solid point of all the universe?
Well, mostly the Universe is empty.
What make up things? Another things? No. what make up things are ideas, conceptions, thoughts.
Our brain is processing more than 400 billion bits of information per second. But our awareness is only about 2000 thounsand of those 400 billion bits . Our brain is under the influence of reality most of the time; But , despite the fact that our body is bombarded by this huge amounts of information, these 2000 thounsand bits have a connection only with our environment, our body , and the time.
The fundamental laws of the physics do not make an interesting distinction beteween the future and the past.
Why don´t we have the same kind of epistemic acsess to the future, and at the same time, over the past? Why, acting now, I can affect the future, but not the past?
We are always recreating the same realities. The same jobs, the same lives. But there is a potencial world around us. Why do we have to make the same choices all over the time?
Who is the Observer?
The material world around us is followed by a sequence of determinist laws? The reality surronding us , why we can not affect it? Because it is solid? Why do we not have a hole in this world?
All the things, all the material things, are not things. They are only moviments of counciousness.
The aton is not a thing. It is a tendency. Heisenberg, co - discover of quantum physics , says it.
Why can´t we choose among the potencial world of possibilities just in front of us?
The eyes are like the lens. A camera sees a lot more in its environment than our eyes. And it only happens because it does not make any objection, any judgment.
The reality we see , is seeing by our brain? Or our eyes?
We only believe in what we see?
One object can be found in two places at the same time?
The so - called superposition reality exists? Can we experience two or more possibilities in one single moment?
It is time to get wise!
Tuesday, October 30, 2007
Postagem sem título
Ao ler os diários de Anais Nin, uma súbita e prolongada idéia riscou minha mente, como um raio a solidificar a possível aglutinação de sensações e impressões esparsas, sentimentos não cogniscíveis. Tudo ao inteiro dispor de algumas linhas paraleleas: As escrituras íntimas da mente, as palavras de sangue a brotarem de todos os poros do meu corpo insólito, partos poéticos em necessidade ambígua, transformando - se em fetos, balas de festim diabólicas, olhos demôniacos que luzem em paisagens gélidas e opacas.
O dissabor de um pequeno desgosto na primeira infância. Uma sensibilidade de obscura pureza. Adolescência embrionária , que mesmo em um gesto não volitivo, enaltece o gosto pela arte.
Resolvo escrever um diário. Hoje, vinte e sete de outubro de 2007, suas primeiras linhas são cravadas a " golpes de martelo".
Entranhados a areia movediça, nas águas turvas, nos círculos concêntricos do oceano, mausoléus de homens e criaturas sobrenaturais. Um paraíso artificial em sono eterno. O que abalaria a sua eternidade? Apenas o vento, seu som sombrio, nos enlaça ao mistério da natureza, a natureza e suas arestas retilínias, seu centro caótico. O abismo do mundo.
Á cada homem, uma história singular. Passado e presente refletidos como um embrolho oblíquo, onde nenhuma forma foto - graficamente fixa padroniza o espírito.
A escolha única. Cores confusas. A fotografia na parede. Dois rostos imóveis em um quadrado cinza. Passado, presente, e futuro numa única representação simbólica do anfi - teatro de duas existências amortecidas, suscetíveis a exigência onipotente do tempo.
Delírios;
O que nos fascina na arte não é apenas o seu conteúdo temático, as técnicas apuradas ,ou não , que permitiram a sua arquitetura. Mas as impressões atmosférias que esta mesma obra de arte nos suscita. As ondas de luz e dor abatidas sobre a alma, quando, num gesto involuntário, por mero escrutínio instintivo, nos dispomos sobre ela. Êxtase e razão. A consciência explodindo em paroxismos.
Mas, e o meu diário? O que , concretamente, pode ser descrito nestas linhas? Pode ser escrito deste dia?
Sonhos. Leituras intermináveis. Hoje, Crime e Castigo, de Dostoiévski. Em uma só semana Baudelaire, e alguns contos de Woody Allen ( seu desespero cômico, seu sarcamos enxuto sobre as ditas questões sérias, como a psicanálise, ou mesmo filosofias que tentam atribuir sentido ao homem, aliviam a angústia sentida á alguns dias ao debruçar - me sobre um outro livro, " Quando Nietzche chorou". Alguns amigos, suas conversas cotidianas. Pólvora a desfazer - se, desnaturar - se, derreter -se.
Anoitece. Volto com um entusiasmo infantil ás primeiras páginas do demônio russo. Os vestígios da supertição ainda permanecem no meu espírito. Raskolnikov , eu te odeio, odeio a sua tragicidade, odeio amar - te. Nele, no estudante fatigado pelo sofrimento, resignado diante do amor pela jovem Soniechka, a dialética finalmente cedera lugar a vida, uma renovação da alma inicia -se.
Á nós, humanos, resta - nos apenas a entrega ao amor, ou a resignação ao mal?
Delírios;
Quero a gramática pura. Não quero antíteses ou metáforas. Quero linhas claras, limpas . Um proeminente " não" ao pensamento desordenado, ao caos em anseio por ordem. Quero a métrica precisa do parnasiano.
Escreverei um roteiro. Com tipos humanos, anseios humanos, com um início e um desfecho. Mas preciso delimitar um tema. Formas prontas? Não existe fórmula para o pensamento! As palavras se dissolvem no incorpóreo ar, nele, assumem formas únicas, autênticas. Mas, e a solidificação destas palavras em concreto - tema, individualiza, singulariza as idéias?
Tudo já foi dito, escrito, ou anunciado. A originalidade consiste no itinerário, no percurso a ser seguido, na forma como o desenvolvimento do pensamento primitivo é delineado. O enlevo altamente confessional de alguns literatos pormenoriza, torna perigoso e viciante o ato da escrita.
Não quero "parir" filhos ébrios e tortos, frutos que, apesar de adejar ao infinito, não possuem uma concepção vitalícia.
Não quero o fórceps como meio único para conceber idéias. O vômito de desespero mudo não mais me interessa. Quero a vivacidade audível da luta. A disciplina do ourives, a simples e inata forma e ação do pensamento lúcido.
Volto a Crime e Castigo. Uma pausa para as larvas vulcânicas que se assomam ao meu cérebro.
A morte de Catiérina Ivanóvna . A poça de sangue brutalmente expelida do peito tísico. As exéquias, o cortejo fúnebre. O sofrimento dos órfãos. Antes, a loucura megalomaníaca da pobre doente, o desfile de atrocidades nas ruas da cidade , o pobre Lênia, em prantos, a sua irmãzinha a agarrar - lhe as mãos, com medo da multidão. Os risos dos transeuntes diante da loucura mórbida de Catiérina.
Por que razão imprópria e maligna , a compleição, o riso amargo, diante da miséria alheia? O que nos faz tão inumanos diante do sofrimento do outro? Talvez a falsa e ardil sensação de bem estar inigualável , sensação de conforto e intocabilidade diante dos males que assombram a terra.
Não, é por matéria podre , por constituição conspurcada, por sordidez humana, que rimos do outro, que nos satisfazemos com sua dor.
28 de outubro de 2007.
Mas este é mesmo um diário? Provisoriamente, apenas por inadptidão momentânea, pelo simples fato de ter me esquecido de escrever a lápis, em cadernos longos, com uma boa encadernação.
Acordo. Uma fadiga repulsiva. O calor traz consigo um mormaço abafado. Irritada, fracionada em todos os pontos secos do meu corpo, volto minha atenção ao livro. Preciso encerrar esta leitura, o quanto antes. Raskolnikov, sua inquietação contínua, os paroxismos da sua mente, as teias de aranha com que se enlaça, a maneira trágica com que se auto - sabota, como é direcinado rumo ao calvário dos justiça dos homens, tudo isso me apavora. Preciso saber qual será seu fim, o que irá restar de toda aquela angústia, daquele olhar desconfiado, a atormentar -se, e , em contra partida, atormentar a todos.
Raskolnikov me possue? Seus pensamentos me possuem? Ou por um simples condicionamento inconsciente me deixo ser absorbida por sua embriaguez de espírito?
A disposição interna dos meus desejos é não substancial. Mas ora, quem será capaz de ordenar os instintos e desejos dentro de si? Estar para nascer este prodígio da natureza!
Delírios;
Se ao nascermos e ao morrermos estamos em abismo escuro, o que nos faz acreditar que a vida é um presságio, um diapasão de luz, uma diáspora entre dois idênticos extremos?
Em curtas palavras; como desnaturar os mil naturais conflitos que constituem a herança da carne?
Meu roteiro. Ele me devolve o chão, materializa organicamente o misticismo - caótico que por hora polariza minha mente.
Escreverei sobre putas. Putas gordas, a expressão humana em sua face mais crua e humilhante. Putas feias, sujas, pressionando seus dedos secos contra a intimidade de homens tísicos, homens com trajes pobres, homens doentes, verdes.
Por acaso Salvador não se assemelha á alguma cidade cubana, ou mesmo ao Haiti? O cheiro acre de peixe que exala das costas, os zumbidos irritantes que se aglomeram nas calçadas da orla, a vida resumida a um suspiro abafado, anulada pelas perdas granaláveis de frescor original.
A vida pulsa nesta cidade? O peito ainda pulsa nestes escombros fétidos? E estes corpos descartáveis, neste frenesi descontrolado?
Ah, existe magia em tudo isso . Mas enquanto a dialética sombria do meu pensamento persistir em não ceder espaço a vida gigantesca que brota em mim, continuarei cega.
Preciso voltar a Crime e Castigo.
Tuesday, October 16, 2007
O holocausto de Adele
Leopoldine está no céu com diamantes. Desesperadamente, Adele busca fundi-lo para reencontrá-la.
Desesperada busca; vã e inconsistente.
Sua dor é indelével, impregna sua alma em efervescência, a faz ter pesadelos quiméricos, mergulhando no abismo de uma morbidez transcendental.
Os pedaços da sua vida se desnudam em clamor ao absurdo da loucura. Um amor implacável é coadunado a uma delirante sensação de bem estar que não se perfaz.
Ignóbil e desprezível é seu obscuro objeto de desejo, que a subjuga a um claustro interminável, que desemboca em um processo de catarse interna.
Viva a explosão de uma babel sinistra e contida, que co-existe com os resquícios de uma mulher que em outra época foi bela, mas que, contudo, destruiu sua beleza, se transformando em cadáver a perambular por ruas evasivas e miseráveis.
Miséria existencial. Vida cuja dissonância ecoa como um alarme em busca do eterno.
Desesperada busca; vã e inconsistente.
Sua dor é indelével, impregna sua alma em efervescência, a faz ter pesadelos quiméricos, mergulhando no abismo de uma morbidez transcendental.
Os pedaços da sua vida se desnudam em clamor ao absurdo da loucura. Um amor implacável é coadunado a uma delirante sensação de bem estar que não se perfaz.
Ignóbil e desprezível é seu obscuro objeto de desejo, que a subjuga a um claustro interminável, que desemboca em um processo de catarse interna.
Viva a explosão de uma babel sinistra e contida, que co-existe com os resquícios de uma mulher que em outra época foi bela, mas que, contudo, destruiu sua beleza, se transformando em cadáver a perambular por ruas evasivas e miseráveis.
Miséria existencial. Vida cuja dissonância ecoa como um alarme em busca do eterno.
Sunday, June 17, 2007
Cinema é a arte de não dizer nada
As marchinhas de circo ressoam em meio aos badalos de sino no pequeno vilarejo.
Uma mulher de circo, nariz vermelho, maquiagem estilizada, e pequenos atos vibrantes encarna o espírito de uma autêntica mulher italiana; emotiva, sensual, a voz entre cortes.
O designe sonoro completa o ambiente. A música no interior da imagem, no silêncio do personagem.
Na mala, objetos coloridos, sonhos.
Era um homem de circo. Não queria transmitir mensagens. Era contra a mumificação dogmática, à ordem geométrica com que a imagem é limitada. Para ele, o cinema era apenas um fabuloso brinquedo, um brinquedo que o fazia atingir o êxtase, dominado por imagens oníricas, absurdas. Um longo plano, onde, por 35 minutos, uma música repleta por proparoxítonas vibrava em cores confusas e disformes.
Uma linda mulher. Fontana de Trevi. Um pequeno gatinho exprimindo sons onomatopéicos no canto de uma rua. A recriação perfeita da Via Venetto na Cinecità. Mastroiane e seus cigarros, seus longos suspiros. Personagens que beiravam o caos, rostos estranhos que se encaixavam simetricamente à idéia inicial, à idéia sonhada. Longos chapéus, bolas de fogo. Giulietta Masina e seus gestos curtos, seu rosto engraçado, seus olhos lúdicos. Um jovem jornalista percorrendo ruas escuras numa Roma misteriosa, “carnavalesca”, sensual.
Zampano, Gelsomina, e a estrada.
Luzes deslizando suavemente sobre pequenos objetos.
O cinema é a arte da imagem.
O pequeno italiano de Rimini foge com um grupo de artistas circenses.
O cinema é a arte de não dizer nada.
Saturday, June 09, 2007
Em busca do Tom perfeito
Em busca do Tom perfeito
Na época em que se escrevia phantasmas, eles eram temíveis. Hoje se escreve apenas com f, de foice, ferida.
A última partitura que ele deixara ao piano, o piano com teclas de marfim e couraça, resplandecia ao fundo da imagem do arpoador e do auto-retrato de Helena, Helena e seus olhos oceânicos.
Esta imagem ficara cravada em sua retina.
Quando phantasmas iluminados fizeram à radiografia da sua alma, foi revelado que a imagem soturna do estúdio tinha perfurado seu coração.
A última partitura; there will never be another you.
A alma do poeta sangrava feito caixinha de fósforos com todos os palitos metodicamente empilhados, receosos diante da ingerência vacilante de uma faísca de fogo.
O sentimento do mundo.
Era um angustiado, não era um poeta ressentido.
O poeta é um enorme beija-flor que alça vôo inalcançável, e cujo canto ecoa versos que também se dissolvem em meio ao incorpóreo ar. O resto são nuvens.
As nuvens são hastes que sustentam a ferida beijada pelos versos, pedaços de algodão, realçados pela dissonância das sensações.
Mas as janelas do grande pássaro branco estão sempre cerradas. Ele extravasa sua dor criando o samba do avião.
Na epígrafe do desespero, as almas ressentidas renunciam a certa angústia viva, ao excesso de voz entupida, hostilizando-a, dando-lhe um significado cor do rosa, não mais o verde amargo do lamento no morro.
Chega de saudade.
Todos, em um uníssono, ecoamos um grito de desespero mudo, um sofrimento latejante, talvez em uma floresta no meio do nada, talvez em um edifício onde se visualize janelas semi-abertas, levemente iluminadas, com grades de ferro, que nos separam, nos enclausuram em uma redoma de vidro; todos, fetos mortos dentro de uma superfície oca e não oxigenada.
Escrevendo para os mortos, os espectros iluminados, extravaso minha dor, lamentando apenas não ter abstraído das retinas do grande maestro a leveza intocável da sua alma.
Na época em que se escrevia phantasmas, eles eram temíveis. Hoje se escreve apenas com f, de foice, ferida.
A última partitura que ele deixara ao piano, o piano com teclas de marfim e couraça, resplandecia ao fundo da imagem do arpoador e do auto-retrato de Helena, Helena e seus olhos oceânicos.
Esta imagem ficara cravada em sua retina.
Quando phantasmas iluminados fizeram à radiografia da sua alma, foi revelado que a imagem soturna do estúdio tinha perfurado seu coração.
A última partitura; there will never be another you.
A alma do poeta sangrava feito caixinha de fósforos com todos os palitos metodicamente empilhados, receosos diante da ingerência vacilante de uma faísca de fogo.
O sentimento do mundo.
Era um angustiado, não era um poeta ressentido.
O poeta é um enorme beija-flor que alça vôo inalcançável, e cujo canto ecoa versos que também se dissolvem em meio ao incorpóreo ar. O resto são nuvens.
As nuvens são hastes que sustentam a ferida beijada pelos versos, pedaços de algodão, realçados pela dissonância das sensações.
Mas as janelas do grande pássaro branco estão sempre cerradas. Ele extravasa sua dor criando o samba do avião.
Na epígrafe do desespero, as almas ressentidas renunciam a certa angústia viva, ao excesso de voz entupida, hostilizando-a, dando-lhe um significado cor do rosa, não mais o verde amargo do lamento no morro.
Chega de saudade.
Todos, em um uníssono, ecoamos um grito de desespero mudo, um sofrimento latejante, talvez em uma floresta no meio do nada, talvez em um edifício onde se visualize janelas semi-abertas, levemente iluminadas, com grades de ferro, que nos separam, nos enclausuram em uma redoma de vidro; todos, fetos mortos dentro de uma superfície oca e não oxigenada.
Escrevendo para os mortos, os espectros iluminados, extravaso minha dor, lamentando apenas não ter abstraído das retinas do grande maestro a leveza intocável da sua alma.
Sylvia
Lindamente, Sylvia se veste para a morte.
O teatro da vida desaparece, cedendo lugar aos espaços vazios por onde vagam as almas perdidas.
Silenciosamente, como se cedendo lugar à experiência transcendente da morte, Sylvia se despede da vida.
A porta estava fechada, não havia janelas. Não havia como ver o que havia do outro lado.
Era como se ela não se visse sólida, mas um espaço translúcido, onde resplandecia suas dores, minúsculas dores, enorme sofrimento.
Era como se através dos seus olhos ela não conseguisse ver nada. Mas o negativo de uma pessoa. Com o subconsciente dizendo; destrua, destrua, ao passo que a consciência, insistentemente, repetia; ame e produza, ame e produza.
Por trás destas palavras, fatalmente a destruição ganharia forma.
O homem quer o caos, diz o poeta. Ele deseja isso. Talvez Sylvia quisesse apenas dar uma ordem as suas emoções dilaceradas, uma métrica precisa aos seus versos de mudo desespero.
Nos últimos anos, dizia estar experimentando coisas novas. Passou a fumar como compelida a encontrar no cigarro um amante complacente, fiel ao seu sofrimento..
Seu cigarro, seu amante, a morte. O vento, o abrigo da fumaça, o abrigo eternizado da sua angústia viva.
O homem quer o caos, diz o poeta. Ele deseja isso. Talvez Sylvia quisesse apenas dar uma ordem as suas emoções dilaceradas, uma métrica precisa aos seus versos de mudo desespero.
Nos últimos anos, dizia estar experimentando coisas novas. Passou a fumar como compelida a encontrar no cigarro um amante complacente, fiel ao seu sofrimento..
Seu cigarro, seu amante, a morte. O vento, o abrigo da fumaça, o abrigo eternizado da sua angústia viva.
Sunday, May 20, 2007
Olhar sobre o caos
Todo desespero é fundamentalmente um desespero de sermos nós mesmos!
Vivemos, agimos e reagimos uns com os outros, mas sempre, e sob quaisquer circunstâncias existimos a sós. Os mártires penetram no grande panteão de mãos dadas, mas são crucificados sozinhos; abraçados, os amantes buscam fundir seus êxtases num único elo; inútil, cada espírito, por sua própria natureza está condenado a sofrer e vagar na mais plena solidão.
O cinema expressionista, manifestação artística que tende a deformar ou exagerar a realidade por meios que expressam os sentimentos e a percepção de maneira direta, é a perfeita tradução plástica do drama humano, da angústia, em efervescência nos recônditos da alma!
A tela é uma imensa gravura, e o filme uma pintura viva, com personagens que se assemelham a verdadeiros desenhos vivificados.
Seus atores não vêm, têm visões. Para eles, a cadeia de fatos não existe, só existe a visão interior que eles produzem.
O terror aparece interiorizado sob a forma de um sofrimento proveniente de um princípio irracional, o mal, no escuro da alma!
Os objetos e elementos da dramaturgia do horror são sempre escolhidos em função de sua estranheza e potencial de angústia, revelando um mundo incriado, em plena mutação, no qual é incômodo estar.
O tirano, personagem sinistro e mágico, que pode assumir a forma de um vampiro, da Morte ou do demônio.
A sombra, atributo dos personagens proscritos pela lei, pelo bem, e que são condenados a vagar num sono intermitente.
O espelho, meio malicioso para dar a realidade frívola um valor estético - as cenas chocantes são sempre mostradas através desta mediação - é através de um espelho que M, O vampiro de Dusseldorf, visualiza a inicial M de morder, nas costas. É também através dele que a morte vem ao mundo, no filme "As três luzes", obra prima do cineasta alemão Fritz Lang.
As olheiras, capazes de denunciar moléstias, inquietações filosóficas.
O livro, fundamento literário presente em grande parte dos filmes expressionistas. O livro que desvenda o mistério desfaz a dúvida, revela os segredos, é geralmente enorme, velho, raro e empoeirado.
Através de o livro dos vampiros, Nina personagem do clássico Nosferatu, do cineasta alemão Murnau, toma conhecimento da forma de exterminar o vampiro. O lê entre vertigens de horror, arfando numa poltrona.
O arfar, o ator expressionista não se limita a paixão ou ao susto, ele se apaixona e arfa..., se assusta e arfa..., indicando que o terror ou a paixão já se instalaram em definitivo na essência do personagem, restando-lhe apenas a entrega ao amor, ou a resignação ao mal.
Sunday, May 13, 2007
Vitório, o filho abandonado, nascera por simples conveniência de um impetuoso fado. Era fruto proibido, nascido do desejo e da tragédia.
Sua mãe, senhora sofisticada, uma das mais belas damas da recatada sociedade carioca dos anos 20, fora vítima de um crime hediondo. Entregara toda a sua fortuna a um cigano sedutor, amancebado por uma virilidade cavernosa, uma indecência de caráter e insensatez de espírito, languidamente camuflados pela música absorta e os perjúrios de amor que soavam doce aos ouvidos da imaculada Maria.
Numa manhã cinzenta, decepa-lhe o ventre com um só golpe de lâmina prateada, arrancando-lhe assim, todas as quimeras que retinha entranhada aos poros, a cada ângulo, a cada linha do seu corpo lívido.
Vitório é criado por Azor, o mais temido dono de escravos da redondeza, pai de Maria. O cigano sedutor, pai do desprezo e da maldade, não lhe roubara a beleza dos traços finos, a boca vermelha que mais se assemelhava a gotículas de sangue, a pele alva, os cabelos lisos e negros.
O menino cresce avesso ao sofrimento. Da dor ele não se compadece. Alimenta sua alma através dos sentidos. Consegue absorver o aroma lilás de um jardim envelhecido, transformando-o em vinho a entorpecer suas dores adormecidas, congeladas pela frieza dos gestos, a expressão sempre fleumática.
Na verdade das retóricas e da ortodoxia ele não acredita. Acredita na verdade que oscila, na verdade acrobática, nas idéias performáticas e na imoralidade dos versos balbuciados por vagabundos trôpegos, enaltecidos de ódio e lascívia.
Mas Vitório se entristece. Ao olhar seu reflexo no azul anil do rio dos botos, adquire um ar soturno, sombrio. Teme envelhecer. Teme não suportar olhar-se ao espelho, e constatar que seu rosto tornara-se um “livro de orações mal encadernado”. Angustia-se ao saber que não herdará a raiz viril e cavernosa do cigano traiçoeiro, o pai do desprezo e da maldade, o devasso, o hostil.
O filho do amor e da obsessão anseia em imortalizar sua beleza em um quadro panorâmico, ungido a óleo e a lembranças de paixões incendiantes, onde o espírito, a alma pura, transformava-se em desejo vacilante, em amor que transbordava através da “Vênus das peles”.
Meses de agonia muda, e Vitório, cuja intuição e sinceridade da imaginação sempre se mostraram presentes, segue a trajetória da arte, o percurso do artista-narciso, nascido no Olímpio, entre deuses vaidosos e hedonistas.
Com sangue e fogo desenha seu auto-retrato, congela eternamente, numa lápide fria, a poesia dos seus traços, único dom herdado da encarnação da morte e do desejo
Sua mãe, senhora sofisticada, uma das mais belas damas da recatada sociedade carioca dos anos 20, fora vítima de um crime hediondo. Entregara toda a sua fortuna a um cigano sedutor, amancebado por uma virilidade cavernosa, uma indecência de caráter e insensatez de espírito, languidamente camuflados pela música absorta e os perjúrios de amor que soavam doce aos ouvidos da imaculada Maria.
Numa manhã cinzenta, decepa-lhe o ventre com um só golpe de lâmina prateada, arrancando-lhe assim, todas as quimeras que retinha entranhada aos poros, a cada ângulo, a cada linha do seu corpo lívido.
Vitório é criado por Azor, o mais temido dono de escravos da redondeza, pai de Maria. O cigano sedutor, pai do desprezo e da maldade, não lhe roubara a beleza dos traços finos, a boca vermelha que mais se assemelhava a gotículas de sangue, a pele alva, os cabelos lisos e negros.
O menino cresce avesso ao sofrimento. Da dor ele não se compadece. Alimenta sua alma através dos sentidos. Consegue absorver o aroma lilás de um jardim envelhecido, transformando-o em vinho a entorpecer suas dores adormecidas, congeladas pela frieza dos gestos, a expressão sempre fleumática.
Na verdade das retóricas e da ortodoxia ele não acredita. Acredita na verdade que oscila, na verdade acrobática, nas idéias performáticas e na imoralidade dos versos balbuciados por vagabundos trôpegos, enaltecidos de ódio e lascívia.
Mas Vitório se entristece. Ao olhar seu reflexo no azul anil do rio dos botos, adquire um ar soturno, sombrio. Teme envelhecer. Teme não suportar olhar-se ao espelho, e constatar que seu rosto tornara-se um “livro de orações mal encadernado”. Angustia-se ao saber que não herdará a raiz viril e cavernosa do cigano traiçoeiro, o pai do desprezo e da maldade, o devasso, o hostil.
O filho do amor e da obsessão anseia em imortalizar sua beleza em um quadro panorâmico, ungido a óleo e a lembranças de paixões incendiantes, onde o espírito, a alma pura, transformava-se em desejo vacilante, em amor que transbordava através da “Vênus das peles”.
Meses de agonia muda, e Vitório, cuja intuição e sinceridade da imaginação sempre se mostraram presentes, segue a trajetória da arte, o percurso do artista-narciso, nascido no Olímpio, entre deuses vaidosos e hedonistas.
Com sangue e fogo desenha seu auto-retrato, congela eternamente, numa lápide fria, a poesia dos seus traços, único dom herdado da encarnação da morte e do desejo
Monday, May 07, 2007
If I have a best friend, he is the one who keeps my youth. He is the one who makes me feel younger and older forever. He is the one who makes me believe I can be a sinner or a saint at the same moment.
She was perfect. She had always been perfect. The follow principle of her life ; What you can ´t see, won´t hurt you.
I can do anything when I believe in something. And I believed in her.
At the old vilage, at the same hour, we talked about love in general. We were both kids. We talked about love as if it was the subject of an essay instead of real.
She said love was like jumping off the high dive. Or like almost getting drowned.
No, young lady! The truly love don´t play games. The entire love is never submitted by the casualities of despair, or even hate. The truly love don´t want slavers, bad seeds trying to argue with the society as if we were a distant peace of it.
Seize the day, young fellows. Says the remarkable teacher to his students.
Oh, captain, my captain! Who is your captain? Who drives your life as if you couldn´t have the control of it?
Do you know the reason I stopped that night? I asked her after years without listening to her voice, or feeling the energy of her not usual unspoken words, the visionary power of her silence.
It was not nobility. That is only what I told myself; We have all the time in the world.
She was naked. I could have possessed that perfect body right that moment. But something was stronger than me. Now I know, this thing was the power of my youth. The false true we are never loosing a chance to love and be loved in return.
The other wants my silence. He can not forbidd me to write poetry or make fantasies instead of disgusted conversation pieces.
The first time I saw that man, that God named Ilusion, I knew something was about to be taken from us.
I said to myself; You only get a couple of moments that determine your life. Sometimes only one. Than , it is gone forever.
Postagem sem título
Five centuries of poetry.
Rip it out if you can not handle it in your hands. Keep ripping gentleman. Otherwise, face the battles, face the wars. The casualites can be your heart and soul burning in hell.
Words can change the world, but measuring poetry is a terrible mistake.
She tried to measure her love through numbers. Crazyness on numbers? Desires on numbers?
The devil on his own explained her we do not write or read poetry because it is cute. But for the simple reason we are a human race, though, we are filled with passion.
They weren´t a greek organization. They were romantics. With these eyes the earth mother will be feeded some how, maybe in a near future, I could feel the presence of Byron and Whitman in that indian cave. They were in every poetry dripped from their tongues.
Every single night after the sun had disappeared , and the moon was the unique crucified fellow of the boys, poetry was about to drip from their tongues. Gods have been created. Women danced to the sound of the calm breeze. How was all that possible? How the young fellows had made that single moment become magic?
The boys with a genuine inteligence and sensibility had discovered the marrow of life when their souls were kept in contact with the woods. They were finally living as birds flying the highest they could. They were alive. For the first time, they could see how brief would be their existence. They could see behind men there is a desperate hunting for eternity.
All of us, food to feed the worms.
Sunday, May 06, 2007
Based on a true story
O sofrimento mais latente pode renascer das circunstâncias mais inofensivas, ao passo que acontecimentos dantescos podem não significar nada.
Matar, por exemplo, é um verbo que segue a lei do máximo esforço. O esforço de viver dia após dia, em meio a desavenças, desencontros e destroços, a ruas desertas, esgotos imundos, lembrando-se de fatos fúnebres, como um estupro na infância, uma vida de lembranças torpes, ou mesmo algo inusitado, como uma roda gigante enorme, vermelha e azul, reluzente como um raio distante a iluminar os sonhos de uma mente que se oculta voluntariamente, tentando se esquecer de uma vida desumana.
Em meados de abril de 2003, conheci uma mulher no mínimo inusitada, mas que transpirava através dos poros, quase sempre encharcados de álcool e drogas, uma autêntica esperança de vida.
Seu nome era Lee, uma garota de programa cuja beleza, realçada por cabelos loiros e uma pele desgastada, perambulava pelas ruas de Day tona Beach, e que num ato de desespero, sabendo como não ter mais como amar a nenhum homem, tenta se matar após um programa que lhe rendera míseros cinco dólares.
Entre encontros e desencontros, quase no ápice de cometer suicídio, conhece Shelby, garota de origem protestante, que imediatamente se sente atraída pela beleza rústica de Lee, oferecendo-lhe bebida.
Inicialmente frustrada pela estupidez de Lee, “tire suas mãos sujas de mim, sua sapata tapada”, as duas logo se tornam amigas, e entre doses de bebida, troca de olhares e muitas risadas, uma paixão fulminante nasce entre ambas, levando Shelby a deixar a casa dos tios e Lee a se corromper, se prostituíndo, matando, em busca de um final feliz para uma história que apenas começara.
“I loved her. No one ever realized about me or believed that I could learn. I could train myself into anything. People always look down their noses at hookers. Never give you a chance ´cause they think you took the easy way out. But no one could imagine the will power it took to do what we do. I could discipline myself to anything when I believed in something, and I believed in her.”
Lee logo se torna uma assassina, mata por um desejo enorme de vingança ou mesmo de revelia a tudo e a todos, roubando carros de vítimas, enchendo sua namorada de presentes, se escondendo em motéis, alugando apartamentos, mudando de vida a todo instante, sem direção nenhuma, apenas tendo a certeza de que logo encontrará Shelby e que juntas poderão desfrutar dos prazeres de uma vida digna da paixão que nascera entre as duas
O corpo ensangüentado após a execução de suas vítimas, em nada condizia com a cadência com que tratava Shelby. Beijos, carinhos maliciosos e ardência, um amor dotado de um lirismo quase rústico, porém compulsivo, como se Shelby representasse a sua redenção, o seu renascer.
Vivia compulsivamente, como se esta fosse a única forma de materializar sonhos esvaídos por “atos de sobrevivência”. Tinha o andar calejado, os braços fortes, tendo em punho sempre a sua arma como forma de resguardar sua vida, ou mesmo quando alguém lhe desferia um olhar de terror.
Seus crimes foram muitos, e a “justiça dos homens”, puniu Lee, levando-a a prisão e posteriormente a execução de uma sentença de morte. O seu algoz foi seu grande amor, testemunhando com irreconhecível frieza os atos de rebeldia praticados pela “grande vítima das circunstâncias”, Lee, a prostituta estuprada na infância e vítima de maltrato pelo próprio pai, um cidadão qualquer que a abandonou como se estivesse se livrando de um objeto indecoroso.
Lee e Shelby nunca mais se falaram após o pronunciamento da sentença de morte. Lee permaneceu na prisão por doze anos, entre a escuridão e as lembranças de uma experiência de amor única, seu corpo tocado por mãos puras, que em nada se assemelhava ao grotesco toque de clientes exigentes e sanguinários.
Morreu tendo a certeza de que enquanto há vida, não se deve ter esperanças
Matar, por exemplo, é um verbo que segue a lei do máximo esforço. O esforço de viver dia após dia, em meio a desavenças, desencontros e destroços, a ruas desertas, esgotos imundos, lembrando-se de fatos fúnebres, como um estupro na infância, uma vida de lembranças torpes, ou mesmo algo inusitado, como uma roda gigante enorme, vermelha e azul, reluzente como um raio distante a iluminar os sonhos de uma mente que se oculta voluntariamente, tentando se esquecer de uma vida desumana.
Em meados de abril de 2003, conheci uma mulher no mínimo inusitada, mas que transpirava através dos poros, quase sempre encharcados de álcool e drogas, uma autêntica esperança de vida.
Seu nome era Lee, uma garota de programa cuja beleza, realçada por cabelos loiros e uma pele desgastada, perambulava pelas ruas de Day tona Beach, e que num ato de desespero, sabendo como não ter mais como amar a nenhum homem, tenta se matar após um programa que lhe rendera míseros cinco dólares.
Entre encontros e desencontros, quase no ápice de cometer suicídio, conhece Shelby, garota de origem protestante, que imediatamente se sente atraída pela beleza rústica de Lee, oferecendo-lhe bebida.
Inicialmente frustrada pela estupidez de Lee, “tire suas mãos sujas de mim, sua sapata tapada”, as duas logo se tornam amigas, e entre doses de bebida, troca de olhares e muitas risadas, uma paixão fulminante nasce entre ambas, levando Shelby a deixar a casa dos tios e Lee a se corromper, se prostituíndo, matando, em busca de um final feliz para uma história que apenas começara.
“I loved her. No one ever realized about me or believed that I could learn. I could train myself into anything. People always look down their noses at hookers. Never give you a chance ´cause they think you took the easy way out. But no one could imagine the will power it took to do what we do. I could discipline myself to anything when I believed in something, and I believed in her.”
Lee logo se torna uma assassina, mata por um desejo enorme de vingança ou mesmo de revelia a tudo e a todos, roubando carros de vítimas, enchendo sua namorada de presentes, se escondendo em motéis, alugando apartamentos, mudando de vida a todo instante, sem direção nenhuma, apenas tendo a certeza de que logo encontrará Shelby e que juntas poderão desfrutar dos prazeres de uma vida digna da paixão que nascera entre as duas
O corpo ensangüentado após a execução de suas vítimas, em nada condizia com a cadência com que tratava Shelby. Beijos, carinhos maliciosos e ardência, um amor dotado de um lirismo quase rústico, porém compulsivo, como se Shelby representasse a sua redenção, o seu renascer.
Vivia compulsivamente, como se esta fosse a única forma de materializar sonhos esvaídos por “atos de sobrevivência”. Tinha o andar calejado, os braços fortes, tendo em punho sempre a sua arma como forma de resguardar sua vida, ou mesmo quando alguém lhe desferia um olhar de terror.
Seus crimes foram muitos, e a “justiça dos homens”, puniu Lee, levando-a a prisão e posteriormente a execução de uma sentença de morte. O seu algoz foi seu grande amor, testemunhando com irreconhecível frieza os atos de rebeldia praticados pela “grande vítima das circunstâncias”, Lee, a prostituta estuprada na infância e vítima de maltrato pelo próprio pai, um cidadão qualquer que a abandonou como se estivesse se livrando de um objeto indecoroso.
Lee e Shelby nunca mais se falaram após o pronunciamento da sentença de morte. Lee permaneceu na prisão por doze anos, entre a escuridão e as lembranças de uma experiência de amor única, seu corpo tocado por mãos puras, que em nada se assemelhava ao grotesco toque de clientes exigentes e sanguinários.
Morreu tendo a certeza de que enquanto há vida, não se deve ter esperanças
Tuesday, May 01, 2007
Women are made by fifty percent of ilusion
Women are made by fifty percent of illusion.
The first time I went to his house I could realize how brief would be our co-existence.
The women are the ones to close the doors of the high society. In that case, the "other" was the one who did it, and with a sense of cruelty I had never seen before.
The ladies close the doors of the high society only because they know for an outsider it is forbidden seeing there´s nothing behind those walls.
But they were there. And beyond two men there were ideas. Behind a man there is an idea.
After the dream come the depression, and an ocean of despair.
They had an origin of symmetry. I should have seen since the very first time, since the first different behavior of P. I did not. I failed. But I faced the death, and he does not know but P. also did.
My first impression of a new born comes naturally of a very particular sense of tragedy and disturb. Disturb me in the darkness. Is that what the other really wanted?
I would never accepted gifts from them. People like them patronize women like me. Lady Macbeth is gay as a young pretty girl who plays in the park. There is such innocence in her eyes. How innocent she is?
The cats.
The streets are fields that never die.
Before the warm breeze in the singular cave of the city darks the atmosphere, the cats were kept in safe at his house. All kind of sweet little cats.
When I see the sky you know how I feel?
When I see the birds flying so high, you know how I feel?
I feel roses growing from my womb. I can see Sylvia still tan goes until dawn. I see Allende being continually re-elected. I see Fellini and Giulietta saying; “No hay Banda"! "No hay Orquestra"!
My painful feelings about them!
“A woman like me is not understood"
“I have been her kind"!
I see Sexton writing poems to Sylvia.
I see a woman and the black air, the thief air.
I see Narcissus and Velázquez, Bacon, darkness and thoughts, a currency of thoughts, and a rail of ideas and feelings.
No, the using of masks is the first human behavior.
We can be trustful, but only being an artist. Only the artists say the truth. The rest is not understood. The rest is a social construction. The rest is theory. I do not believe in theories.
You hurt my feelings. You disturbed me in the darkness, my anger cannot be so sweet, and I cannot feel, I will not feel, there is no more time for feelings.
There is nothing, only death.
A new born, a new life, a new dawn.
Sunday, April 15, 2007
Postagem sem título
Please could you stop the noise I am trying to get some rest of all the unborn chicken voices in my head.
Paranoid? An android? What´s that?
Ambition makes you look prety ugly. Are you against the wall?
Sorry, but your opinion is off no consequence at all.
Megalomania.
Paradise
Price
Karma Police
Jacqueline! Jacqueline!
She was seventeen
Drink sangria in the park
Feed the animal
Pig, little pig. Some peaple are alive just because it´s not legal to kill them. Do you really believe this is what I get? Don´t mess with us. I want to lost myself killing a motherfucker.
My freedom comes naturally.
Everything about you is so easy to love.
Everything about you pains my feelings
Your soul can´t hate anything. Your anger is so sweet.
Just drink a bit of wine. We both must go tomorrow.
I saw you this morning. You were moving so fast.
The good new is she can´t have babies and won´t accept gifts from me.
What are kids for? They just grow up and break the laws you´ve loved.
Take off your disguise.
The underneath is me.
When I am gone it won´t be long before I disturb you in the dark.
Birds flying high
Sun in the sky
A new born, a new life for me.
Fish in the sea
Everybody in free
A new born, a new life for me.
Butterflies are all having fun.
Stars when they shine
Freedom is my life.
A new dawn, a new day, a new life.
The wind posessed me like a thief.
The rose
Is wild
A kiss.
Sunday, December 31, 2006
Postagem sem título
Quando nos tornarmos escanfrandristas do céu, e não mais fleumáticos admiradores de pontos fixos , talvez a vida ganhe uma tonalidade mais bela.
O universo e seus indizíveis mistérios comporta a maior de todas as perguntas; venceremos de fato o caos da morte?
A desesperança é maior que o maior de todos os sentimentos, aquele capaz de provocar revoluções sem ao menos levantar uma bandeira, ou destilar tiros de desespero?
Amor.
No nosso inconsciente estão registrados traumas que muitas vezes desembocam em um interminável processo de catarse interna. Uma explosão sinistra e melancólica, uma intimidade grosseira entre os pensamentos do corpo e do espírito.
Somos a civilização que trocou a eloqüência do amor pela bomba atômica. Estaremos eternamente condenados ?
Temos um contato íntimo com o útero materno. Somos amnióticos . Almejamos uma liberdade de ações, mas nos aprisionamos aos grilhões da família, ás verdades que não oscilam, aos valores e sua mais cruel face, a tradição.
Somos guerreiros em terra inóspita, nos vangloriamos das nossas conquistas, das nossas guerras. Estamos vivendo na era do desespero. E o que é pior, não nos damos conta disso. Assimilamos valores alienígenas, sem nos darmos conta de que a maior das liberdades consiste na afirmação da nossa identidade. Mas não uma identidade nacionalista, não falo com a imposição de preconceitos lingüísticos e geográficos. Falo em nome da identidade que é fruto das nossas mais intrigantes reflexões internas, das nossas conjugações herméticas, do contato tênue entre elas e as forças místicas que nos rodeiam, falo em nome da universalidade do ser humano, das células em intenso processo de multiplicação, dos neurônios e suas sinapses perfeitas.
Contemplados seremos com o sorriso de Afrodite? Resta-nos uma faísca de amor? Somos deuses do nosso reino?
A visão embaçada, os óculos molhados com o vapor atmosférico, os carros blindados , os edifícios encarcerados, quais serão as outras metáforas que a humanidade irá utilizar para se desfazer deste intenso processo poético evolutivo que é a vida na sua expressão mais verdadeira?
Anseio com a disciplina e furor de fé de um monge beneditino, que o porvir e o futuro, estejam na pauta das nossas aspirações, da nossa visão. Enquanto nos embrenharmos deste imediatismo caduco, incrédulo, deste cotidiano manso, seremos eternos espectadores no anfiteatro da vida. Se esperamos pelos aplausos, a vida em troca nos dará murmúrios e as mais audíveis vaias.
Eternos coadjuvantes no maior espetáculo de todos os tempos.
Tuesday, December 26, 2006
Postagem sem título
A inteligência pressupõe um enorme senso de objetividade, porém mesclado a consideráveis doses de conjugações herméticas.
Um contato tênue entre momentâneas forças místicas, convicções intimistas, e mesmo questões globalmente convencionadas, pode resultar em construções ideológicas pertinentes, podendo também ocasionar a debilidade permanente, a débil sensação de que não estar inserido dentro de um conjunto de normas e princípios meticulosamente estruturados, nos faz melhores ou piores engenheiros do pensamento.
Até o século XVII éramos ingênuos na maneira de nos posicionarmos criticamente em torno do sexo.
Há três séculos, em sociedades onde o fantasma da revolução industrial ainda não havia plantado seus fortalecidos vínculos, os corpos “pavoneavam”, os códigos da grosseria e da impudicícia eram frouxos, as crianças tinham um sexo, este de forma muito lenta, eu diria quase inexistente, era ocultado.
O velho camponês, cansado de obter prazer através de incansáveis “jogos solitários”, buscava a satisfação dos seus instintos em “crianças espertas”, que em troca de algumas carícias, cobravam recompensas, como alguma quantia em dinheiro. Esta uma prática corriqueira, costume possivelmente assimilado a vida cultural das cidades.
Com a revolução industrial, e mesmo com o surgimento da face mais perversa do capitalismo, o sexo passa a ser uma questão de interesse público.
O homem se torna uma inesgotável e rentável força produtiva. O sexo, antes incorporado ao cotidiano manso das cidades, é restringido a elaboração de uma multiplicidade de discursos, elaborações sistemáticas que nos autorizam quando, onde e como falar dele.
Um contato tênue entre momentâneas forças místicas, convicções intimistas, e mesmo questões globalmente convencionadas, pode resultar em construções ideológicas pertinentes, podendo também ocasionar a debilidade permanente, a débil sensação de que não estar inserido dentro de um conjunto de normas e princípios meticulosamente estruturados, nos faz melhores ou piores engenheiros do pensamento.
Até o século XVII éramos ingênuos na maneira de nos posicionarmos criticamente em torno do sexo.
Há três séculos, em sociedades onde o fantasma da revolução industrial ainda não havia plantado seus fortalecidos vínculos, os corpos “pavoneavam”, os códigos da grosseria e da impudicícia eram frouxos, as crianças tinham um sexo, este de forma muito lenta, eu diria quase inexistente, era ocultado.
O velho camponês, cansado de obter prazer através de incansáveis “jogos solitários”, buscava a satisfação dos seus instintos em “crianças espertas”, que em troca de algumas carícias, cobravam recompensas, como alguma quantia em dinheiro. Esta uma prática corriqueira, costume possivelmente assimilado a vida cultural das cidades.
Com a revolução industrial, e mesmo com o surgimento da face mais perversa do capitalismo, o sexo passa a ser uma questão de interesse público.
O homem se torna uma inesgotável e rentável força produtiva. O sexo, antes incorporado ao cotidiano manso das cidades, é restringido a elaboração de uma multiplicidade de discursos, elaborações sistemáticas que nos autorizam quando, onde e como falar dele.
Se antes era comum encontrar o professor orientando seu discípulo naquilo que o fazia ter tremores solitários, um possível encontro sexual, esta mesma atitude a ele não mais passa a ser atribuída.
As sociedades que sucedem o século XVII estruturam suas relações de poder delimitando umas específica divisão de funções, estas desempenhadas através das suas instituições – a corporificarão do próprio poder.
As sociedades que sucedem o século XVII estruturam suas relações de poder delimitando umas específica divisão de funções, estas desempenhadas através das suas instituições – a corporificarão do próprio poder.
Gerir com melhor eficiência a máquina estatal, cortar despesas, expandir as relações de consumo, significa também mudar as práticas sociais em torno da sexualidade.
Logo, o sexo é confinado, delimitado, classificado. Fala-se dele, porém, apenas após todo um engenhoso processo de controle.
Inevitavelmente, e quase que de forma exaustiva, nos fadaram a lamentar a herança medieval de associação do sexo ao pecado, porém, não nos perguntamos quais seriam as razões destas lamentações.
Fazemos discursos inflamados, construímos sofisticados raciocínios em torno da repressão, do silêncio e do mutismo que esta mesma forma de controle atribuiu ao sexo, mas não nos questionamos se esta é a questão de maior relevância. Não seríamos mais prudentes e mesmo mais inteligentes se questionássemos o que existe por trás de toda esta malha de discursos em torno do sexo? O que existe por trás da “análise crítica “ da sexualidade?
Quais seriam as motivações, políticas e econômicas, a suscitar esta multiplicidade de discursos? Qual a razão de todos eles estarem camuflados por uma afirmação genérica, uma expressão tipicamente “pós moderna” , e que parece mesmo ter nos custado um alto preço?
Se Dom Ruan provoca um corte na entrelaçada rede de relações de poder que envolve a analítica discussão do sexo, melhor mesmo deixarmos para os psicanalistas classifica-lo como narcisista ou anormal.
Logo, o sexo é confinado, delimitado, classificado. Fala-se dele, porém, apenas após todo um engenhoso processo de controle.
Inevitavelmente, e quase que de forma exaustiva, nos fadaram a lamentar a herança medieval de associação do sexo ao pecado, porém, não nos perguntamos quais seriam as razões destas lamentações.
Fazemos discursos inflamados, construímos sofisticados raciocínios em torno da repressão, do silêncio e do mutismo que esta mesma forma de controle atribuiu ao sexo, mas não nos questionamos se esta é a questão de maior relevância. Não seríamos mais prudentes e mesmo mais inteligentes se questionássemos o que existe por trás de toda esta malha de discursos em torno do sexo? O que existe por trás da “análise crítica “ da sexualidade?
Quais seriam as motivações, políticas e econômicas, a suscitar esta multiplicidade de discursos? Qual a razão de todos eles estarem camuflados por uma afirmação genérica, uma expressão tipicamente “pós moderna” , e que parece mesmo ter nos custado um alto preço?
Se Dom Ruan provoca um corte na entrelaçada rede de relações de poder que envolve a analítica discussão do sexo, melhor mesmo deixarmos para os psicanalistas classifica-lo como narcisista ou anormal.
Sunday, November 05, 2006
Postagem sem título
A nossa condição é uma condição virtual.
Temos afinidades. Somos inteligente, a conversa flui. Mas nos poldamos, nos restringimos. E se tudo não passar de um encontro cibernético? De um encontro de sinapses, minhas e suas, que é estimulado a formular questões sobre a vida, sobre a arte? O real, o palpável, terá a mesma dimensão que o imagético? Não. Inevitavelmente não. O mundo virtual é o mundo ideal. O mundo onde a perfeição impera, por mais que inevitavelmente estajamos alertados sobre isso. E falo por que muitas vezes já pontuamos sobre esta necessidade de não provocarmos confusões neste sentido. Somos analíticas! Não achas? Pontuamos em uma conversa eletrônica a necessidade de desconstruir vínculos muito fortalecidos. Vínculos que pela sua própria natureza precisam ser fortalecidos em um contexto real. Mas vale a pena? Vale mesmo?
Hoje, madrugada de 06 de novembro, eu encontrei o vazio fundamental.
Subscribe to:
Posts (Atom)